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Precificação

Monitorar concorrente não é estratégia de preços

Saber o preço da farmácia ao lado ajuda, mas não responde à pergunta principal: como a sua rede quer competir em cada praça.

Equipe Varejo Inteligente2 min de leitura

Binóculo preto antigo, com a alça enrolada, sobre uma mesa redonda de madeira gasta

Quase toda conversa sobre preço em rede de farmácia começa do mesmo jeito: “precisamos saber o que o concorrente está cobrando”. É uma informação útil. O problema aparece quando ela vira o método inteiro.

O que o monitoramento responde

Uma pesquisa de preços responde a uma pergunta só: quanto os outros cobram por este produto hoje. Ela não diz se a sua rede deve cobrar igual, menos ou mais. Não diz em quais categorias vale a pena brigar. E não diz o que acontece com a margem quando você acompanha cada movimento do vizinho.

Quem precifica apenas reagindo ao concorrente entrega a ele, sem perceber, a decisão sobre o próprio resultado.

O que a estratégia responde

Estratégia de preços é decidir, antes de olhar a pesquisa, como a rede quer ser vista e onde quer ganhar dinheiro. Na prática, isso vira três definições.

Posicionamento por categoria. Em quais categorias a rede quer ser a mais barata da praça, em quais acompanha o mercado e em quais protege a margem. Genéricos e dermocosméticos raramente pedem a mesma resposta.

Ser a mais barata da praça

Categorias em que a rede decidiu brigar por preço.

ex.: genéricos

Acompanhar o mercado

Preço alinhado ao da praça, sem liderar a disputa.

ex.: medicamentos de marca

Proteger a margem

Categorias em que a rede não entra em disputa de preço.

ex.: dermocosméticos

Exemplo de definição. Cada rede escolhe a resposta de cada categoria.Ilustração

Diferença entre lojas. A loja do centro disputa cliente com três concorrentes na mesma rua. A do bairro é a farmácia de referência de quem mora perto. Tratar as duas com a mesma tabela é abrir mão de margem em uma e de venda na outra.

Margem que sustenta a operação. Cada categoria precisa de uma margem alvo, conhecida por quem compra e por quem precifica. Sem ela, qualquer desconto parece razoável.

Onde o concorrente entra

O preço do concorrente continua na conta, como um dos insumos. Ele ajuda a calibrar as categorias em que a rede decidiu ser competitiva e a confirmar se o posicionamento escolhido está de pé. Mas entra depois da decisão, não no lugar dela.

Só reação

O concorrente muda o preço

A rede acompanha

A margem vira consequência

Quem decide o resultado é o concorrente.

Com estratégia

A rede define posicionamento, grupos de lojas e margem alvo

A regra indica o preço

preço do concorrente, como um dos insumos

A margem é acompanhada por grupo de lojas

Quem decide o resultado é a rede.

O preço do concorrente continua na conta, mas entra depois da decisão da rede.Ilustração

Uma boa forma de testar se a rede tem estratégia é fazer a pergunta ao contrário: se a pesquisa de preços ficasse uma semana fora do ar, o time saberia que preço praticar? Se a resposta for sim, existe regra. Se for não, existe apenas reação.

Por onde começar

  1. Agrupe as lojas que competem em condições parecidas.
  2. Escreva, para cada grupo, a margem desejada nas principais categorias.
  3. Defina quem sugere, quem aprova e quando o preço muda.
  4. Acompanhe a margem por grupo de lojas depois de cada rodada de alterações.

Nenhum desses passos depende de saber o preço do concorrente. E todos eles ficam melhores quando essa informação chega para apoiar uma regra que já existe.

Vamos conversar sobre a sua operação?

Conte o momento da sua farmácia ou da sua rede. Mostramos por onde começar: processos, preços ou ferramentas.